domingo, 18 de setembro de 2011

São 02.05 am, de um dia qualquer. Um dia em que deixei a moleza do meu corpo espalhar-se por toda a cama.

Apago a luz do candeeiro mais próximo. Não me apetece esforçar-me para ver.
Coloco o telemóvel sem som. O dispêndio de energia ao realizar tal gesto, é menor do que a energia que gasto em acordar sobressaltado durante a noite a ouvir um Triim... Triiiiiiiim... Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim... Tudo começa com um toque, um inofensivo toque, incapaz de acordar alguém; o segundo toque é bem mais forte do que o primeiro, e assim sucessivamente. Por fim, um último toque antes de agarrar o maldito do aparelho. Não tenho de procurá-lo, porque a luz entra-me pelos olhos (mesmo quando estão fechados). Um exercício de estimulação da maioria dos sentidos, à excepção do paladar. Sim, o telemóvel também tem cheiro. Tem o odor de um objecto que fez inúmeras viagens desde o bolso, até às mãos. O cheiro do objecto que ficou encostado ao rosto e que roçou na barba; que ficou esquecido em casa, escondido numa das últimas gavetas, de um móvel que apresenta vestígios de pó. Enfim, uma simples acção e um atormentar de tantos sentidos, à excepção do paladar. Sim, não é normal comer telemóveis. Qual o sabor de um telemóvel? Um paladar que se complementa a todos os cheiros. Um sabor igual ao do suor que teima em cair do rosto e que escorre pelas mãos.

Deixo o meu corpo entregue ao colchão e escrevo um texto ao escuro. Os olhos percorrem o contorno de cada letra escrita no ar. Tanto a caneta como o suporte onde escrevo são da mesma cor. Escrevo em linhas que eu próprio tracei. De vez em quando, ultrapasso os limites. Uma letra mais acima, outra mais abaixo. Uma maiúsucla, outra minúscula.

Peço para que alguém me desligue. Alguém, não eu. Pensar gasta energia.

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