Escrever poesia para denunciar os erros
do mundo é como ver através dos gladíolos, nascidos na Primavera, a imperfeição da terra. Tão grande contraste. O belo deambula pelas ruas, até
no rosto daqueles a quem a fome comeu a carne e desgastou os ossos. Cresçam campos
de papoilas, gladíolos e cravos. Que as gentes cegas pela fealdade sintam o
cheiro das flores, espirrem com o pólen e tenham, diante dos olhos cegos, uma
miragem de escarlate. A natureza que se encarregue de redesenhar os
círculos perfeitos da utopia. Que surjam de novo os cravos nas espingardas, e a rouquidão
no canto dos que acreditam. Que o Encoberto surja numa soalheira manhã de Abril para dizer que não é mais rei. Que se reguem as flores, e que o perfume do ar não seja mais o de Átropos a cortar o fio na hora do combate.
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