quinta-feira, 28 de junho de 2012

Era uma vez um homem com alzheimer. Sabia chorar. Lembrava-se das lágrimas derramadas enquanto era criança e ainda não tinha perdido as memórias das amarguras da vida. A mulher do homem morreu. Sim, ele lembrava-se da mulher. Não chorava porque não sabia da sua morte. Era uma vez um homem que  pensava que estava à espera que a mulher voltasse da mercearia. Ela morreu. Não se cansava de esperar. Cada momento de espera era singular e não tinha relação com os outros.

quarta-feira, 20 de junho de 2012



- Quand je parle une autre langue, je suis une autre personne. 
- Eu tenho uma única identidade, aquela que o português me permite expressar. Sinto uma barreira para me expressar noutras línguas. É como se tivesse ficado isolado aquando da destruição da Torre de Babel. 
- Il n'ya pas de barrières dans coeur. "Le langage est source de malentendus." 
- Sim, ainda bem que não falamos a mesma língua. Quando estou feliz sabes o que eu sinto. Quando faço dramas, apenas sabes que estou triste ou furioso. Não compreendes a minha mente complicada e por isso continuas aqui. Obrigado! 
- De rien! 
- Ah, consegues entender a minha gratidão?! 
- Quoi? Qu'est-ce que tu dis? 
- Rien, rien. Je suis content...

domingo, 10 de junho de 2012

Carta

(três folhas brancas. Ao fim da terceira, um post-it com uma mensagem.) 


Não tive tempo para codificar as minhas ideias.

Envio-te os meus pensamentos.


Cordialmente,

O homem vestido de preto.