quinta-feira, 28 de junho de 2012

Era uma vez um homem com alzheimer. Sabia chorar. Lembrava-se das lágrimas derramadas enquanto era criança e ainda não tinha perdido as memórias das amarguras da vida. A mulher do homem morreu. Sim, ele lembrava-se da mulher. Não chorava porque não sabia da sua morte. Era uma vez um homem que  pensava que estava à espera que a mulher voltasse da mercearia. Ela morreu. Não se cansava de esperar. Cada momento de espera era singular e não tinha relação com os outros.

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